A saga das figurinhas da Copa: de brindes a itens de luxo

A paixão por colecionar figurinhas da Copa do Mundo, que atinge seu ápice a cada quatro anos, tem raízes profundas e uma história rica que remonta a décadas. O que hoje é sinônimo da Editora Panini, com seus álbuns oficiais e cromos autocolantes, começou de forma mais modesta, evoluindo de simples brindes a itens de colecionador que podem valer verdadeiras fortunas.
As Origens: De Balas a Álbumes Pioneiros
A primeira grande iniciativa global para um álbum de figurinhas oficial da FIFA foi a da editora italiana Panini, com o álbum da Copa do Mundo de 1970 no México. No entanto, a febre das coleções esportivas no Brasil é anterior. Os primeiros colecionáveis associados ao mundial surgiram ainda na década de 1930, distribuídos como brindes em embalagens de balas e cigarros. Essa fase inicial se estendeu até 1938, com figurinhas avulsas de jogadores e seleções.
Um marco importante ocorreu em 1950, quando a “Fábrica de Balas A Americana” lançou o que é considerado o primeiro álbum de Copa do Mundo no Brasil. Essas primeiras edições apresentavam figurinhas não autocolantes, que vinham junto aos doces. A grande virada, porém, veio em 1970, com a parceria estabelecida entre a Panini e a FIFA. A editora italiana introduziu os cromos autocolantes e o conceito de um álbum completo, cobrindo todas as seleções participantes, eternizado pela capa com a imagem do craque Pelé.
A Era Panini e a Expansão da Coleção
Desde a Copa de 1970, a Panini se consolidou como a publicação oficial, lançando um álbum para cada edição do torneio. Até a edição de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, a editora terá publicado um total de 15 álbuns oficiais. Cada álbum reflete a evolução do esporte e a expansão do torneio.
A edição de 2026 promete ser a maior da história, com 48 seleções participantes. Consequentemente, o álbum contará com 980 cromos e 112 páginas, um aumento significativo em relação às 670 figurinhas da edição de 2022. É importante notar que essa contagem se refere aos álbuns oficiais da Panini, desconsiderando edições locais, “piratas” ou focadas apenas na Seleção Brasileira, que se multiplicaram ao longo das décadas.
Figurinhas Raras: Do Sonho à Realidade Financeira
O valor das figurinhas da Copa do Mundo transcendeu o aspecto lúdico, transformando-se em um mercado de colecionismo com cifras expressivas. As figurinhas mais valiosas atualmente pertencem à categoria especial “Legends” (Lendas), introduzida pela Panini. Estas não são coladas nas páginas regulares e aparecem aleatoriamente nos pacotes, funcionando como um bônus.
Os níveis de raridade para a Copa de 2026 são definidos por cores, impactando diretamente o valor: Roxa (1 a cada 190 pacotes), Bronze (1 a cada 317 pacotes), Prata (1 a cada 900 pacotes) e Dourada (1 a cada 1.900 pacotes), sendo esta última a mais cobiçada e cara.
Grandes astros do futebol mundial impulsionam esses valores. Cromos na versão Dourada de Lionel Messi e Vinícius Júnior estão sendo revendidos por até R$ 5.000 cada. Outros nomes como Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Erling Haaland e Lamine Yamal também integram o topo do ranking de preços.
Olhando para o passado, relíquias históricas como uma figurinha original de Pelé na Copa de 1970 ou cromos dourados de edições antigas em bom estado de conservação podem ultrapassar os R$ 15.000 em leilões internacionais. A trajetória das figurinhas da Copa do Mundo é, portanto, um reflexo da evolução do esporte, do marketing e da própria cultura do colecionismo.
