PF confirma autoria de Tiradentes em notas sobre a Revolução Americana

A ciência a serviço da história: Tiradentes como intelectual
A imagem de Joaquim José da Silva Xavier como um herói impulsivo ou meramente um mártir da Coroa portuguesa acaba de ganhar uma camada de complexidade intelectual. Um laudo pericial do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal confirmou, nesta terça-feira (21), que as anotações manuscritas no chamado ‘Livro de Tiradentes’ são, de fato, do próprio punho do expoente da Inconfidência Mineira.
O anúncio, feito pelo diretor do Museu da Inconfidência, Alex Sandro Calheiros, em Ouro Preto, transforma o que antes era um forte indício historiográfico em prova material definitiva. A descoberta altera a percepção sobre a participação de Tiradentes no movimento de 1789, revelando um homem profundamente engajado com as teorias políticas que moldavam o mundo atlântico no século 18.
O ‘Recueil’: O manual da liberdade
O volume em questão é uma obra rara intitulada ‘Recueil des loix constitutives des colonies angloises’ (Coleção das leis constitutivas das colônias inglesas), publicada em Paris em 1778. O livro é uma compilação de documentos fundamentais dos Estados Unidos, incluindo:
- A Declaração de Independência de 1776;
- A primeira redação dos Artigos de Confederação;
- As constituições de seis dos treze estados originais norte-americanos.
Dedicada a Benjamin Franklin, a obra circulou clandestinamente e serviu de combustível ideológico para os inconfidentes mineiros. O exemplar chegou ao Brasil pelas mãos de estudantes que retornavam da Universidade de Coimbra e tornou-se a base teórica para imaginar um Brasil independente.
Da apreensão ao retorno triunfal
A trajetória do livro é tão dramática quanto a vida de seu proprietário. Pouco antes de sua prisão no Rio de Janeiro, em maio de 1789, Tiradentes entregou o volume a Francisco Xavier Machado com a missão de devolvê-lo a Minas Gerais. No entanto, a obra foi confiscada pelas autoridades portuguesas durante a Devassa e permaneceu ‘exilada’ por 124 anos na Biblioteca Pública de Santa Catarina.
Foi apenas em 1984, por iniciativa do então governador Tancredo Neves, que o livro retornou a Ouro Preto. Para Calheiros, a confirmação pericial afasta interpretações simplistas que reduziam Tiradentes a um ‘homem de ação’ sem estofo teórico. ‘Ele não apenas portava o livro; ele interveio diretamente sobre o texto como um leitor ativo’, destaca o diretor.
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Perguntas Frequentes
Q: O que o laudo da PF muda na história do Brasil?
A: Ele prova que Tiradentes tinha uma participação intelectual ativa na Inconfidência, estudando e anotando leis constitucionais, o que o eleva de um simples executor a um pensador político.
Q: Qual é o conteúdo do livro analisado?
A: O livro contém as leis fundamentais e a Declaração de Independência dos Estados Unidos, servindo de inspiração para a revolta em Minas Gerais.
Q: Onde o livro está localizado atualmente?
A: O exemplar integra o acervo do Arquivo Histórico do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG).
