Lula para Trump: “Você não foi eleito para ser imperador do mundo”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou ter dito diretamente a Donald Trump que o então presidente dos Estados Unidos não foi eleito para governar o mundo, mas sim para liderar seu país. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, em meio a discussões sobre as crescentes tensões globais e a necessidade de multilateralismo. Lula criticou o que chamou de ações unilaterais de potências e defendeu o respeito mútuo nas relações internacionais.
Respeito e diálogo nas relações globais
“Você não foi eleito para ser imperador do mundo. Você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos”, afirmou Lula ao recordar a conversa com Trump. Segundo o líder brasileiro, os Estados Unidos, apesar de sua força, precisam aprender a respeitar outras nações e abandonar a prática de impor suas agendas políticas e econômicas. Lula destacou a importância de conversas reservadas antes de aparições públicas, ressaltando que tinha “assuntos de interesse do Estado brasileiro” para debater com Trump.
O presidente expressou preocupação com a postura de Washington em relação à América Latina, criticando a visão estereotipada que, segundo ele, os americanos têm da região, associando-a principalmente a drogas e tráfico. Lula também abordou a questão do tráfico de armas, apontando que grande parte dos armamentos apreendidos no Brasil tem origem nos Estados Unidos, conforme dados da Polícia Federal.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
Lula defendeu uma profunda reformulação do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a estrutura geopolítica estabelecida após a Segunda Guerra Mundial não reflete mais a realidade do século XXI. Ele propôs a inclusão de países como Brasil, Índia, África do Sul, Nigéria e México no quadro permanente do Conselho, argumentando que “a geopolítica de hoje não é a geopolítica de 1945”.
O presidente criticou guerras recentes que ocorreram sem autorização internacional, citando exemplos como as intervenções dos EUA no Iraque e no Irã, a ofensiva israelense em Gaza e o conflito entre Rússia e Ucrânia. Para ele, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança precisam dialogar mais efetivamente. Lula lamentou que o mundo tenha investido trilhões em armamentos enquanto negligencia o combate à fome, ao analfabetismo e à pobreza global.
