Mendonça assume Banco Master: Centrão treme e INSS ganha fôlego

Uma reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF) promete intensificar as investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ministro André Mendonça foi sorteado para assumir a relatoria do inquérito que apura irregularidades no Banco Master, substituindo Dias Toffoli. A movimentação é vista com expectativa, especialmente porque Mendonça já é o relator de outro inquérito crucial sobre fraudes no INSS, criando uma conexão direta entre as duas frentes de investigação.
Conexões e Expectativas no STF
A ligação entre os dois casos é evidente: há suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master tanto no sistema financeiro quanto na concessão de crédito consignado do INSS. A chegada de Mendonça à relatoria do caso Master foi recebida com otimismo por integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, expressou a crença de que os trabalhos da comissão, focados no Banco Master, ganharão um suporte mais robusto do STF com o novo relator.
A mudança de relatoria é particularmente significativa dado o histórico recente. Dias Toffoli, o relator anterior, havia retirado da CPMI dados sigilosos referentes a Daniel Vorcaro, um dos nomes centrais do Banco Master, e seu banco, transferindo os documentos para a custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Com Mendonça no comando, a expectativa da comissão é que esses documentos sigilosos sejam finalmente devolvidos à CPMI, impulsionando as investigações.
O Peso Político e a Atuação de Mendonça
André Mendonça tem se notabilizado por adotar posições técnicas e por reforçar as investigações em curso sobre as fraudes no INSS. A expectativa é que ele mantenha a mesma postura rigorosa à frente do inquérito do Banco Master. Os próximos passos incluirão decisões cruciais sobre a permanência das investigações no STF ou seu eventual retorno à Justiça Federal.
Um dos pontos de maior tensão é a análise do relatório que a Polícia Federal deve encaminhar. Este documento promete trazer nomes de autoridades com foro privilegiado que teriam mantido conversas com Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. A perspectiva desse relatório preocupa profundamente o Centrão, grupo político que pode ter figuras com relações próximas a Vorcaro e Zettel.
Líderes partidários relembram que o próprio Davi Alcolumbre, presidente do Senado, já indicou nomes para a direção do fundo de pensão do Amapá, que está sob investigação da PF por ter adquirido títulos do Banco Master. Além disso, a nomeação de André Mendonça ao STF foi marcada por uma sabatina protelada por cinco meses por Alcolumbre, em uma tentativa de barrar sua aprovação. Amigos do ministro recordam a resiliência de Mendonça naquele período, que culminou em sua aprovação.
A assunção de Mendonça à relatoria do caso Banco Master, em conjunto com sua atuação no inquérito do INSS, sinaliza um período de intensas movimentações no cenário político e jurídico, com potencial para desvendar importantes esquemas e afetar figuras de peso no Congresso Nacional.
Da redação do Movimento PB.
