Toffoli ‘na defesa’ do Banco Master? Entenda a polêmica acareação no STF

Acareação no STF: Estratégia ou Favor?
A decisão do ministro Dias Toffoli de realizar uma acareação no STF envolvendo o caso do Banco Master gerou controvérsia. De um lado, a defesa do banco vê uma chance de reverter a liquidação e questionar as ações do Banco Central. Do outro, críticos apontam um possível favorecimento, dado o histórico de Toffoli no caso.
O Plano da Defesa e o Histórico de Toffoli
Após conseguir a transferência da investigação para o STF e o sigilo do caso, a defesa do Master busca agora minar a credibilidade do Banco Central. O objetivo é reverter a liquidação do banco e, possivelmente, obter ressarcimento. Advogados do Master já apresentaram argumentos ao STF e ao Tribunal de Contas da União questionando a decisão de liquidar o banco.
A acareação, que coloca em lados opostos o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, é vista como crucial para essa estratégia. Críticos questionam a isonomia do procedimento, já que ninguém prestou depoimento antes.
Banco Central sob Ataque?
Para entender a decisão de liquidar o Master, é importante notar que ela foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada do BC, incluindo o presidente Gabriel Galipolo. Surpreendentemente, Ailton Aquino, diretor de fiscalização, foi quem mais resistiu à liquidação, sendo visto internamente como um aliado do Master.
Documentos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) revelam 38 comunicados sobre riscos de liquidez e problemas no balanço do Master, muitos dirigidos à área de Aquino. Participantes de reuniões relatam que Aquino minimizava os problemas, que se agravaram com o tempo.
Os Bastidores da Operação BRB-Master
A situação se complicou quando o BRB anunciou a compra de 58% do Master, mantendo Daniel Vorcaro no comando. A análise dessa operação revelou fraudes em contratos de crédito consignado, que permitiram o repasse de R$ 12,2 bilhões do BRB para o Master. Essa descoberta gerou um racha interno no BC, com diferentes diretorias defendendo diferentes soluções.
A Intervenção de Moraes e os Problemas de Liquidez
Em julho de 2025, o ministro do STF Alexandre de Moraes intercedeu por Vorcaro junto a Galípolo, mencionando gostar do banqueiro e alegando perseguição dos grandes bancos. Contudo, ao ser informado das fraudes, Moraes recuou e defendeu a investigação.
Posteriormente, o Master deixou de fazer depósitos compulsórios e solicitou linhas de crédito ao FGC, indicando problemas de liquidez. Dias antes da liquidação, Vorcaro tentou marcar uma reunião com Aquino para apresentar supostos compradores para o banco.
Conclusão: Acareação Polêmica
A defesa de Vorcaro usou o registro dessa reunião para argumentar que ele não estava fugindo ao viajar para Dubai. Diante desse cenário, o Banco Central manifestou preocupação com possíveis “armadilhas processuais” na acareação.
O caso do Banco Master segue gerando debates e questionamentos sobre a atuação de diferentes atores envolvidos. Resta saber se a acareação no STF trará luz aos fatos ou se servirá apenas como mais um capítulo dessa complexa história.
Da redação do Movimento PB.
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