Portugal: Imigração vira ‘tema tóxico’ e assusta brasileiros, diz Casa do Brasil

Clima de medo e incerteza toma conta da comunidade brasileira em Portugal
A presidente da Casa do Brasil de Lisboa (CBL), Ana Paula Costa, em entrevista exclusiva, faz um alerta sobre o tratamento dado à questão da imigração em Portugal. Segundo ela, o tema se tornou “tóxico”, alimentado por desinformação e preconceito, gerando um clima de medo e incerteza entre os imigrantes, especialmente os brasileiros.
Costa, que completou um ano à frente da CBL em dezembro de 2025, critica as recentes mudanças nas leis de imigração e nacionalidade, consideradas restritivas e até inconstitucionais. “Focamos tanto na imigração como regulamentação, que penaliza e controla, que não possibilitamos uma integração efetiva e digna”, desabafa.
Novas leis e o impacto na vida dos imigrantes
As alterações nas leis, que incluem o fim da regularização “in loco” para cidadãos da CPLP e regras mais rígidas para o reagrupamento familiar, têm gerado grande apreensão. Imigrantes relatam dificuldades em obter informações e agendar serviços junto à AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo), o que acaba por bloquear suas vidas.
Empregabilidade e a desvalorização profissional
A CBL também acompanha de perto a questão da empregabilidade dos imigrantes, especialmente após a suspensão dos vistos de procura de trabalho. Ana Paula Costa critica a lógica de priorizar a mão de obra “altamente qualificada”, argumentando que ela desvaloriza a contribuição essencial dos imigrantes em diversos setores, muitas vezes relegados a trabalhos precarizados e explorados.
Xenofobia e a saúde mental dos imigrantes
O aumento de casos de racismo e xenofobia é outro ponto de preocupação. Costa lamenta a falta de dados atualizados sobre o tema, após a extinção da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial. Ela destaca o impacto do discurso hostil e da insegurança jurídica na saúde mental dos imigrantes. “Uma pessoa ouve o tempo inteiro que não é bem-vinda, que vai ser expulsa. Imagina o impacto que isso tem na cabeça das pessoas. É adoecedor”, alerta.
Eleições presidenciais: esperança em um futuro mais acolhedor
Diante desse cenário desafiador, a presidente da Casa do Brasil deposita esperanças nas eleições presidenciais de janeiro de 2026. Ela espera que o pleito eleja um candidato comprometido com os valores democráticos e com o respeito aos imigrantes, reconhecendo a importância da história de Portugal como país de emigração.
Da redação do Movimento PB, com base na entrevista dada ao portal Poder 360
