Trump designa deputado estadual da Flórida como embaixador dos EUA no Brasil benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Carregando Carregando… Brasília e Washington O presidente Donald Trump nomeou nesta segunda-feira (1º) Daniel Perez, 38, como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Republicano, Perez é o presidente da Câmara de Representantes da Flórida. A designação será encaminhada para confirmação do Senado americano. Homem de terno azul e gravata azul clara aplaude em ambiente interno com outras pessoas ao fundo, em foco médio. O presidente da Câmara de Representantes da Flórida, Daniel Perez, escolhido por Trump como novo embaixador no Brasil – Alicia Devine – 16.jun.25/Reuters Com o envio de Perez ao Brasil, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana em Brasília é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar. De acordo com seu site oficial, Perez é cubano-americano de primeira geração. Nascido em Nova York, ele se mudou para a Flórida com a família em 1993 e foi eleito para a legislatura estadual pela primeira vez em 2017. Na página online, o deputado não cita ter ocupado outros cargos relacionados a política externa. O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, também é da Flórida e tem pais cubanos. Em publicações nas redes sociais, Perez costuma demonstrar alinhamento com Trump, recorrendo a expressões associadas ao movimento Maga (sigla para “faça a América grandiosa novamente”) e defendendo pautas da agenda trumpista. Em janeiro, por exemplo, manifestou apoio à operação dos EUA contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro, na qual o ditador foi deposto e capturado. Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro Carregando… Na ocasião, o deputado afirmou que a ação ajudaria a “trazer paz e segurança” e representaria um passo importante para, segundo ele, “desferir um golpe significativo contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição de vidas americanas”. Assim como Trump, em 2024, Perez protagonizou embates com o governador da Flórida durante a breve campanha de Ron DeSantis pela indicação republicana à Presidência —o deputado é conhecido pela imprensa americana como um político que travou diversas discussões com o governador. No ano passado, discordaram em diferentes temas, como imigração, ensino superior, perfuração de poços de petróleo em alto-mar e até normas de segurança para condomínios. Como consequência, a relação da Câmara estadual com o governador tem sido tensa. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo De acordo com o site Governing, Perez acusou o governador de mentir, agir de forma emocional e ter acessos de raiva. “Ameaçar os outros para conseguir o que você quer não é liderança, é imaturidade”, disse o parlamentar no ano passado. Em outro sinal de alinhamento a Trump, Perez fez diversas tentativas de dificultar o voto por correio na Flórida antes das eleições de 2024, quando o republicano derrotou Kamala Harris na disputa pela Presidência com um discurso de que só não venceria se houvesse fraude no pleito. No ano passado, a imprensa da Flórida noticiou que Perez estaria sendo pressionado pela Casa Branca a concorrer ao cargo de procurador do estado —Trump buscaria remover James Uthmeier do cargo, um aliado de DeSantis. Mais tarde, entretanto, o presidente apoiou publicamente a reeleição de Uthmeier. Trump visita Xi Jinping na China Trump visita Xi Jinping na China Carregando… Assim, o futuro político de Perez ficou sem definição, uma vez que ele não poderia se candidatar à Câmara novamente —a Flórida proíbe que um deputado fique mais de oito anos consecutivos no cargo. Agora, o republicano ganha um cargo liderando a missão diplomática americana ao segundo maior país das Américas. Se aprovado, o deputado terá que lidar com um dos momentos mais delicados da relação bilateral entre Washington e Brasília nas últimas décadas. Desde que voltou ao poder, Trump promoveu um tarifaço contra o país e impôs sanções a membros do STF (Supremo Tribunal Federal) após pressão de Eduardo Bolsonaro —voltando atrás meses depois. Na última quinta-feira (28), o governo americano designou oficialmente as facções PCC e Comando Vermelho como terroristas, abrindo caminho para eventuais sanções contra empresas brasileiras e outras intervenções. Colaborou Victor Lacombe.
O presidente Donald Trump designou Daniel Perez, 38, como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A indicação, feita nesta segunda-feira (1º), será submetida à confirmação do Senado americano. Perez, republicano e atual presidente da Câmara de Representantes da Flórida, assume a posição de liderança na missão diplomática em Brasília, um posto vago desde a saída de Elizabeth Bagley. Atualmente, a embaixada é chefiada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
Trajetória e Alinhamento Político
Perez, cubano-americano de primeira geração, nasceu em Nova York e mudou-se para a Flórida em 1993. Ele ingressou na legislatura estadual em 2017, sem um histórico prévio notório em política externa. Suas manifestações públicas, especialmente em redes sociais, demonstram forte alinhamento com Trump e o movimento MAGA. Em janeiro, ele expressou apoio à intervenção americana na Venezuela, declarando que a ação traria paz e segurança e impactaria negativamente os cartéis de drogas.
O deputado também se notabilizou por embates políticos com o governador da Flórida, Ron DeSantis, durante a campanha presidencial de 2024. Divergências em temas como imigração, educação superior e políticas ambientais marcaram a relação tensa entre Perez e o governador. Perez chegou a acusar DeSantis de imaturidade e de usar táticas de intimidação.
Em outro movimento alinhado à agenda trumpista, Perez buscou restringir o voto por correspondência na Flórida nas eleições de 2024. Anteriormente, cogitou-se sua possível indicação para procurador do estado, visando a substituição de um aliado de DeSantis, mas a Casa Branca acabou apoiando a reeleição deste último. Com o fim de seu mandato na Câmara estadual, devido ao limite de oito anos consecutivos, a nomeação para embaixador representa um novo rumo em sua carreira política.
Desafios Bilaterais
Caso aprovado, Perez terá a tarefa de gerenciar um período complexo na relação entre Washington e Brasília. Desde o retorno de Trump ao poder, tensões comerciais e sanções pontuais marcaram o intercâmbio bilateral. Recentemente, o governo americano classificou as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, abrindo portas para possíveis sanções econômicas e outras medidas de intervenção.