Uber expande viagens exclusivas para mulheres nos EUA sob fogo cruzado judicial
Segurança como prioridade em meio a disputas legais
A Uber oficializou nesta segunda-feira a expansão nacional de sua ferramenta que permite a conexão exclusiva entre motoristas e passageiras mulheres em todo o território dos Estados Unidos. O recurso, que vinha sendo testado em cidades selecionadas, surge como uma resposta direta às persistentes preocupações sobre a segurança de mulheres na plataforma, mas desencadeia um debate jurídico complexo sobre discriminação de gênero.
A iniciativa permite que passageiras solicitem especificamente uma condutora feminina através da opção “mulheres motoristas” no aplicativo. O sistema oferece flexibilidade: a usuária pode optar por aguardar mais tempo por uma motorista mulher, reservar a viagem com antecedência ou definir uma preferência permanente em suas configurações, o que aumenta as chances de match, embora não garanta 100% de precisão devido à disponibilidade da frota.
O conflito judicial: Discriminação ou proteção?
Apesar do apelo popular, a Uber enfrenta resistência nos tribunais. Na Califórnia, uma ação coletiva movida por motoristas do sexo masculino alega que a medida viola o Unruh Civil Rights Act, legislação estadual que proíbe empresas de praticarem discriminação baseada em sexo. Os autores do processo argumentam que a funcionalidade cria um desequilíbrio de mercado, permitindo que a minoria feminina de motoristas — cerca de 20% da base da Uber nos EUA — acesse todo o pool de passageiros, enquanto os homens ficam restritos a uma base menor.
Em sua defesa, a Uber argumenta que o recurso atende a um interesse público fundamental: a segurança. A empresa busca levar o caso para arbitragem, citando os termos de uso assinados pelos motoristas. A Lyft, principal concorrente da Uber, também enfrenta litígios semelhantes após lançar o serviço “Women+ Connect” em 2024.
Dados de segurança e responsabilidade corporativa
A pressão sobre as gigantes do transporte por aplicativo não é infundada. Nos últimos anos, relatórios internos revelaram milhares de casos de agressão sexual durante corridas. Embora a Uber destaque uma redução significativa — caindo de 5.981 incidentes entre 2017-2018 para 2.717 entre 2021-2022 — a empresa ainda lida com as consequências financeiras e reputacionais de falhas passadas. Recentemente, a companhia foi condenada a pagar US$ 8,5 milhões a uma passageira no Arizona após um caso de estupro.
- Histórico Global: O recurso não é inédito; foi lançado originalmente na Arábia Saudita em 2019 e já opera em 40 países, incluindo Brasil, Canadá e México.
- Contratados vs. Empregados: A Uber mantém a tese jurídica de que não é responsável pela conduta de seus motoristas, uma vez que são prestadores de serviço independentes, e não funcionários.
- Contas de Adolescentes: O novo recurso também será estendido a usuários de contas para adolescentes, reforçando o foco na proteção de grupos vulneráveis.
O Que Você Precisa Saber
O recurso garante que sempre serei atendida por uma mulher?
Não. A Uber reforça que a ferramenta funciona como uma preferência de conexão. Caso não haja motoristas mulheres disponíveis nas proximidades no momento da solicitação, o sistema poderá sugerir um motorista homem para evitar tempos de espera excessivos, ou a passageira poderá optar por cancelar a chamada.
Por que a medida é considerada discriminatória por alguns motoristas?
O argumento central nos tribunais americanos é que, ao segmentar o mercado por gênero, a Uber estaria privando motoristas homens de oportunidades de ganho baseadas exclusivamente em seu sexo, além de supostamente reforçar estereótipos de que homens representam um risco inerente à segurança.
