Facção criminosa monitorava Cabedelo por câmeras do Rio de Janeiro

Uma investigação reveladora expôs a profunda infiltração de uma facção criminosa na cidade de Cabedelo, na Paraíba. A atuação da organização ia além do tráfico, alcançando o poder público municipal. A reportagem especial do Fantástico, exibida neste domingo (10), detalhou como criminosos, a partir do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, monitoravam o cotidiano da cidade paraibana através de câmeras de segurança.
O centro de operações no Rio de Janeiro
O epicentro dessa vigilância era o Complexo do Alemão, onde reside Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka. Considerado o chefe do Comando Vermelho na Paraíba e um dos criminosos mais procurados do estado, Fatoka é apontado como o elo direto entre a facção e a administração de Cabedelo. Imagens obtidas pela reportagem do programa mostram homens conectados a esse esquema operando diversas câmeras que cobriam a cidade.
A política de Cabedelo sob influência
As investigações indicam que a facção criminosa não se limitou a observar. Houve uma clara infiltração no sistema político de Cabedelo, evidenciada pelo loteamento de cargos públicos, a prática de “rachadinhas” (desvio de parte dos salários de assessores) e desvios milionários em contratos firmados pela prefeitura. Essa influência direta no poder público resultou em consequências drásticas para a gestão municipal.
Afastamento de prefeitos e investigações da Polícia Federal
Em abril, o então prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo em uma operação deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura um complexo esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e, crucialmente, a ligação de agentes políticos com a facção criminosa. O afastamento de Neto ocorreu apenas dois dias após sua eleição em eleições suplementares. Ele ocupava a prefeitura interinamente desde 2025, após a cassação do antecessor, André Coutinho (Avante), também sob suspeita de envolvimento com grupos criminosos.
A operação que culminou no afastamento de Edvaldo Neto também teve como alvo diversos funcionários da prefeitura. Entre eles, destaca-se Cynthia Denize Silva Cordeiro, então secretária de Ocupação e Uso do Solo e sogra do prefeito afastado. Cordeiro é apontada pelas investigações como advogada de Fatoka e peça fundamental na conexão entre a facção criminosa e os órgãos públicos de Cabedelo.
