Prefeito de Cabedelo afastado; investigação apura R$ 270 milhões em fraudes

A Justiça determinou o afastamento do prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), nesta terça-feira (14). A decisão judicial ocorreu em meio a uma operação deflagrada pela Polícia Federal, em colaboração com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público da Paraíba e a Controladoria-Geral da União.
Esquema milionário e facções criminosas
A investigação centraliza suas apurações na suposta existência de uma organização criminosa dedicada a fraudar licitações, desviar verbas públicas, lavar dinheiro e, possivelmente, financiar atividades de facções criminosas com atuação no município. O esquema teria operado por meio da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra, supostamente ligadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, um braço do “Comando Vermelho”.
Relatos indicam a infiltração de membros de facções nas estruturas da Prefeitura de Cabedelo, a circulação de recursos públicos em benefício do crime organizado e o uso de contratos administrativos como ferramenta para manter poder, influência territorial e blindagem institucional. O montante total envolvido nas operações sob investigação pode atingir até R$ 270 milhões.
Contexto eleitoral e diligências
Edvaldo Neto assumiu a prefeitura após uma eleição suplementar realizada no domingo anterior, convocada pela cassação de seu antecessor, André Coutinho, e da vice Camila Holanda, que também enfrentavam suspeitas de envolvimento com facções. A investigação, que revelou um consórcio entre agentes políticos, empresários e criminosos, resultou no cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares, incluindo o afastamento de servidores públicos.
A força-tarefa, composta pela Polícia Federal, GAECO/MPPB e CGU, busca aprofundar a coleta de provas, garantir a integridade da investigação e impedir a continuidade das atividades ilícitas. Os fatos apurados podem configurar crimes como frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa.
Defesa se manifesta
Em nota oficial, a defesa de Edvaldo Neto refutou veementemente qualquer vínculo do prefeito com facções criminosas, classificando a imputação como “absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública”. A defesa expressou confiança na apuração dos fatos e na elucidação completa das circunstâncias. Foi mencionado, ainda, que na segunda-feira (13), um projeto de lei com caráter “antifacção” foi encaminhado ao Legislativo municipal, visando proibir a contratação de indivíduos com processos ou inquéritos relacionados a tráfico de drogas e organização criminosa pela administração pública, conforme promessa de campanha.
