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Bolsonaro é preso preventivamente pela PF após violar monitoramento e convocar vigília


Decisão do STF aponta risco de fuga e distúrbios públicos; defesa critica medida e ex-presidente é levado para Sala de Estado Maior em Brasília.

O cenário político brasileiro sofreu um abalo sísmico na manhã deste sábado (22/11). O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal em sua residência, no condomínio Vivendas da Barra, em Brasília. A operação marca um ponto de inflexão na batalha judicial que envolve a condenação do ex-mandatário a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Enquanto viaturas cruzavam a capital federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpria agenda oficial no G20, na África do Sul, selando um contraste simbólico entre o isolamento do líder da oposição e a diplomacia ativa do atual governo.

A ordem de prisão, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), baseia-se em fatos novos considerados alarmantes: a violação da tornozeleira eletrônica e a convocação de uma vigília popular, interpretada pelas autoridades como uma manobra para gerar tumulto e dificultar a aplicação da lei.

A operação e a “Sala de Estado Maior”

Às 06h00, um comboio da Polícia Federal estacionou no bairro Jardim Botânico. Bolsonaro, que cumpria prisão domiciliar desde agosto, foi notificado da revogação do benefício. Segundo fontes ligadas à operação, o ex-presidente não ofereceu resistência física, embora relatos descrevam que ele estava visivelmente abalado.

O ex-mandatário foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília e alocado em uma “Sala de Estado Maior”, espaço adaptado com banheiro privativo e isolado da carceragem geral — o mesmo prédio que, em uma ironia histórica, abrigou Lula no passado.

A defesa, liderada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno, classificou a prisão como uma medida de “profunda perplexidade”, argumentando que o estado de saúde de Bolsonaro torna o ambiente carcerário um risco à sua vida.

O estopim: tornozeleira e a vigília de Flávio

A fundamentação de Moraes repousa sobre relatórios de inteligência que registraram uma violação na tornozeleira eletrônica de Bolsonaro pontualmente às 00h08 deste sábado. Para o STF, não se tratou de falha técnica, mas de um ato preparatório.

A situação agravou-se com a movimentação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que convocou apoiadores para uma “vigília de oração” em frente à casa do pai. O STF interpretou o ato não como religioso, mas como uma tentativa de utilizar a massa popular como “escudo humano” para impedir a ação policial ou facilitar uma fuga, possivelmente para uma embaixada, dada a proximidade geográfica.

Repercussão e tensão internacional

A prisão aprofundou a polarização. Enquanto governistas, como a presidente do PT Gleisi Hoffmann, defenderam a legalidade da ação e o fim da impunidade, a oposição e o PL classificaram o ato como perseguição política, buscando transformar a prisão em um martírio para mobilizar bases.

No cenário externo, a preocupação recai sobre a reação de Donald Trump, aliado de Bolsonaro, que já impôs tarifas a produtos brasileiros em retaliação às decisões judiciais do país. O mercado financeiro, contudo, manteve estabilidade, sinalizando que a prisão já estava precificada pelos agentes econômicos.

Da redação do Movimento PB [GEM-MPB-22112025-7X9L2M-V18.2]