Moraes sob fogo: PF na Receita acende alerta e racha o STF

Uma recente operação da Polícia Federal, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que mirou funcionários da Receita Federal suspeitos de vazar informações sigilosas de familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), acendeu um pavio de desconfiança e irritação dentro da própria Corte. A ação, que ocorreu na terça-feira, provocou reações fortes e levantou sérias questões sobre abuso de autoridade e os reais propósitos por trás da investigação.
Divisão Interna: “Absurda” e “Abuso de Autoridade”
Fontes internas do STF, que preferiram o anonimato para expressar suas preocupações, classificaram a operação como “absurda” e indicaram a presença de indícios claros de abuso de autoridade. A ala da Corte que não possui alinhamento direto com Moraes manifestou profundo descontentamento, principalmente pelo fato de o ministro não ter comunicado previamente aos seus colegas sobre a suspeita de acesso indevido aos sigilos fiscais de seus parentes.
Um magistrado chegou a expressar seu desagrado diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin, evidenciando a tensão crescente. A iniciativa de Moraes de solicitar à Receita a verificação de acessos ilegais a dados de cerca de 100 pessoas foi interpretada internamente como uma “fishing expedition“, um jargão jurídico para a prática ilegal de buscas genéricas sem um objetivo determinado, na esperança de encontrar provas de crimes. Essa tática, frequentemente atribuída à extinta força-tarefa da Lava Jato, ressurge agora nos corredores do Supremo, gerando apreensão.
O “Efeito Orloff”: Temores e Ligações com o Caso Banco Master
A preocupação entre os ministros vai além da legalidade da operação. Existe um temor latente de que Moraes possa utilizar os dados obtidos sobre colegas e seus familiares para se blindar de investigações futuras, especialmente aquelas que poderiam envolver a si mesmo ou sua esposa, Viviane. O contrato de R$ 130 milhões de Viviane com o Banco Master, que até hoje carece de explicações claras, permanece como um ponto sensível e um potencial calcanhar de Aquiles.
A memória do vazamento da reunião secreta que culminou na renúncia de Dias Toffoli à relatoria do caso Master ainda está fresca na mente dos togados. Naquela ocasião, um relatório do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, detalhou motivos para a suspeição de Toffoli, incluindo o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro. Detalhes da reunião, com trechos literais das falas dos magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, levando a suspeitas de que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo para seu próprio benefício. Embora Toffoli negue, a tensão interna se elevou.
Para alguns colegas do Supremo, a recente ação de Moraes reflete um temor do “efeito Orloff“: a ideia de que, ao observar a situação de Toffoli, Moraes enxergue um possível futuro para si mesmo. Essa percepção adiciona uma camada de complexidade e desconfiança às relações internas da mais alta Corte do país.
Da redação do Movimento PB.
