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Cármen Lúcia: Brasil pode ser modelo de sociedade democrática

Cármen Lúcia: Brasil pode ser modelo de sociedade democrática
Cármen Lúcia: Brasil pode ser modelo de sociedade democrática

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, defendeu em aula magna na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) que o Brasil tem o potencial de se tornar um modelo de sociedade democrática, superando desafios como a violência de gênero e a desigualdade.

Democracia, Igualdade e a Luta Contra a Violência

Em sua explanação, Cármen Lúcia enfatizou que a construção de uma democracia efetiva exige a conjugação de olhares entre homens e mulheres, ressaltando que a liberdade é um processo contínuo de conquistas e que a cidadania se molda nas relações cotidianas. “Não é apenas aprender na cidadania, aprender nas nossas profissões, aprender nos cargos que exercemos no espaço público, no espaço particular, mas ser com o outro no mundo que nos demanda o tempo todo para sermos em conjunto, para sermos coletivamente”, pontuou.

A ministra, que é a única mulher atualmente no STF, destacou a importância do respeito à dignidade e à identidade de cada indivíduo. Ela condenou a violência de gênero, afirmando que esta afeta toda a sociedade e não apenas as mulheres diretamente agredidas. “Não é possível continuar. Parem de nos matar, porque nós não vamos morrer. Decidiram que iriam nos matar, nós decidimos que não vamos morrer. Portanto, nós precisamos resolver essa equação”, declarou com veemência.

Cármen Lúcia também abordou a origem histórica do Dia Internacional da Mulher, remetendo à mobilização de mulheres russas em 1917 por pão e paz. Essa demanda, segundo ela, permanece atual globalmente. Em contraposição à lógica da guerra, que visa o lucro, a ministra propôs o poder da convivência humana, defendendo a paz como a ausência de todas as formas de violência, que vão além da agressão física e se manifestam em ameaças, controle e desvalorização.

Invisibilidade Histórica e Mudanças Culturais

A ministra criticou a persistente desigualdade que se manifesta na divisão de responsabilidades familiares e profissionais, onde o “dever de cuidado” ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres. Ela apontou o feminicídio como um reflexo de um retrocesso civilizatório e ressaltou a importância da participação masculina na divisão das tarefas domésticas e no cuidado com os filhos.

Ao abordar a invisibilidade histórica das mulheres, Cármen Lúcia citou o exemplo de Dona Hipólita Jacinta, figura central na Inconfidência Mineira, cujo papel foi ignorado por décadas. A ministra celebrou a recente sanção da lei que inscreve o nome de Hipólita no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, ressaltando que mudanças culturais profundas não ocorrem apenas por decreto, mas exigem o funcionamento das instituições e a atuação da cidadania.

A violência política de gênero foi outro ponto de atenção, com a ministra descrevendo os ataques sexistas e desmoralizantes que levam mulheres a renunciar à vida pública. Ela defendeu medidas concretas, como “brigadas eleitorais”, para proteger candidatas e garantir a tranquilidade democrática.

Um Brasil Justo e Solidário

Cármen Lúcia concluiu sua fala defendendo uma democracia afetuosa, baseada na fraternidade, pluralidade e solidariedade. Ela lamentou o “egoísmo” presente na sociedade brasileira, mas reafirmou a confiança na capacidade coletiva de transformação. “O meu coração por um Brasil justo e solidário bate com todas as forças. Somos capazes de um Brasil que seja exemplo de democracia para um mundo que está precisando de humanidade”, finalizou, convocando a todos para a construção conjunta de um país mais igualitário e pacífico.

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